Aluna do Século foi vencedora distrital do Concurso “Operação Cisne Branco 2018”

//Aluna do Século foi vencedora distrital do Concurso “Operação Cisne Branco 2018”

A aluna Natália Cardoso Chíxaro foi homenageada solenemente pelo Comando do 9º Distrito Naval – Marinha do Brasil. A aluna foi a vencedora distrital do Concurso “Operação Cisne Branco 2018”, na categoria Ensino Médio, com o tema: Marinha do Brasil – mais do que uma carreira, uma opção de vida. Sob coordenação da professora Alânia Nogueira, Natália impressionou e emocionou a todos narrando as experiências de uma jovem marinheira, através de uma carta.

Confira a redação da aluna:

Queridos pai e mãe,  

Sinto-me em um sonho. Entrar para a Marinha tornou-se muito mais que seguir uma carreira: é um estilo de vida. Os uniformes, as operações, tudo me inspira e me dá forças para crescer e seguir essa grande jornada como marinheira. Assim como a contra-almirante Dalva Mendes no momento em que foi promovida, sinto que estou firmando compromisso com esta Força Armada e com o país. E, além de estar realizada com minha opção de vida, só consigo sentir mais orgulho ao saber que a Marinha foi a primeira a abrir vagas para mulheres, com a criação do Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha, em 1980. Desde então, a participação feminina tem ganhado força e se tornado cada vez mais  notável, mostrando que os marinheiros, independentemente do gênero, estão prontos para cumprir qualquer missão; porquanto, assim como os homens, as marinheiras também possuem as características e valores exigidos do profissional, como dedicação, zelo, abnegação, responsabilidade e comprometimento. E foi neste convés que me abriguei.

Como vocês bem acompanharam minhas noites de pouco sono ao longo da minha graduação, fui me preparando para ingressar nessa Força Armada e adentrei através do Concurso Público para o Corpo de Saúde da Marinha e, uma vez bem colocada, tive o privilégio de escolher em que navio operar. Os senhores me conhecem, então já devem imaginar qual foi minha decisão: os carinhosamente chamados Navios da Esperança — que, como sabem, atuam na Operação de Assistência Médico Hospitalar (ASSHOP). Entre os quatro que operam, optei pelo navio “Doutor Montenegro”, onde poderia utilizar os conhecimentos adquiridos durante o curso para auxiliar comunidades carentes. O trabalho aqui é lindo! Somos conhecidos como verdadeiros “Médicos da Família” pelas comunidades ribeirinhas e indígenas ainda carentes de assistência médica e saneamento, isoladas do acesso à rede básica de saúde. Eu sei que vocês devem estar me achando deveras empolgada frente a uma realidade sabidamente precária do interior. Nos deparamos, sim, com dor e desespero, e aí fazemos jus ao título recebido, uma vez que agimos não apenas no âmbito clínico como damos apoio psicológico, ensinamos noções elementares de higiene pessoal e ambiental, prevenção de acidentes em embarcações, além de habilitar os ribeirinhos para a navegação segura. Entretanto, ainda que pareça um paradoxo, é neste cenário de dificuldades que encontramos alegria, gratidão e doação. Na última viagem, voltei com os braços abarrotados: uma palma de banana, dez ingás de metro, oito rambutans, dois cachos de pitomba e, para completar, um litro de açaí, que tomei com farinha do uarini.

A saudade é grande, uma dor que bate constantemente na porta da minha cabine, algumas vezes acompanhada da solidão, pois, embora rodeada de colegas, careço da constância do rosto e sorriso familiares, do aconchego, do cuidado materno ou da proteção paterna. Não disponho da mesma mobilidade e vida social de antes, restando-me as belezas naturais que tenho a oportunidade de conhecer, os cursos oferecidos no decorrer dessas águas que ainda navegarei e especialmente o contato com as mais diversas necessidades — inclusive as minhas próprias. Isso tudo pode parecer uma “pororoca” a travar o curso do meu navio profissional. Todavia, utilizarei estas mesmas ondas revoltas para surfar por este infindo rio de objetivos. Muito obrigada pelo apoio que me prestaram desde que decidi seguir esta carreira, o orgulho que sentem é para mim como um sopro de tenacidade para continuar essa missão. Prometo escrever novamente assim que puder. Eu amo vocês.

Que a Virgem do Carmo me ajude a conduzir o navio dos meus planos com águas de perseverança e ventos de sucesso!

Com muito carinho, a marinheira da família.

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2018-12-14T10:52:41+00:00